Domingo, 13 de Maio de 2012

Reflexão sobre MARIA

“O SIM DE MARIA CRUZA-SE COM O SIM DE CRISTO”[1]

1 - QUEM É MARIA?
2 - A PESSOA DE MARIA E A MARIOLOGIA
3 - MARIA MÃE DE JESUS E O SEU PAI JOSÉ
4 - MARIA A MULHER DE NAZARÉ
5 - MARIA E A LUZ DE MARIA
6 - MARIA COMO OLHAR DE FÉ…
7 - O SIM DE MARIA
8 - FIXAR O EXEMPLO DE MARIA
9- A MISSÃO DE MARIA
10 - O TESTEMUNHO VIVO DE MARIA
11 - MARIA E O SOFRIMENTO
12 - A MEDIAÇÃO DE MARIA
13 - MARIA, OS JOVENS E A SUA LINGUAGEM

1 - QUEM É MARIA?
Maria é uma jovem judia, esposa de José, Mãe de Jesus de Nazaré, a quem a comunidade cristã confessa como Mãe do Messias, o Filho de Deus feito homem.

Jesus_Maria

2 - A PESSOA DE MARIA E A MARIOLOGIA
Convém distinguir, mas não separar, a pessoa de Maria da “mariologia”. A “mariologia” é a reflexão teológica sobre a pessoa e a missão de Maria que se afirma na fé. Maria, pelo contrário, é uma pessoa com a sua trajetória histórica, que tem também – como é lógico – uma importância fundamental para que a reflexão sobre Maria não seja puramente histórica da mulher de Nazaré; ou para que não seja uma simples elaboração teórica e ideológica doutrinal sobre ela e por causa dela.

3 - MARIA MÃE DE JESUS E O SEU PAI JOSÉ
As fontes documentais apresentam Jesus como “o filho de José” (Lc 3,23; 4,22 e Jo6,42), “Jesus de Nazaré filho de José” (Jo 1,45), ou seja, “como o filho do carpinteiro” (Mt 13,55), mas também “como filho de Maria” (Mc 6,3). É assim evidente que a Mãe de Jesus se chama Maria; Ela também é citada desta forma em Act 1,14. O nome de Maria, em referência à Mãe de Jesus, está ausente no Evangelho de João, por razões internas do próprio escrito, mas está presente, tanto em Mt (1,18; 2,11; 13,55) como em Mc (86,3) ou em Lc (1,41-42; 2,5-7; 2,34). Isto não significa que em diferentes circunstâncias – também em João – não haja referências à “Mãe” de Jesus, embora o seu nome não esteja citado: na visita que esta e os irmãos d’Ele fazem a Jesus quando Ele está em Cafarnaum (Mc 4,31-35; Mt 12,46-50; Lc 8,9-21), no episódio das Bodas de Caná (Jo 2,1-12) e no episódio ao pé da cruz (Jo 19,25-27…).

4 - A MULHER MARIA DE NAZARÉ
O significado do nome Maria, não encontra acordo em muitos autores. Considera-se como mais plausível, que o nome de Maria derive de um composto egípcio/hebraico: Myr-ya/yam que significa amada de Deus ou -Yahveh – ugaritico mrym – que significa altura, isto é, a excelsa, a sublime, que em tom poético, a liturgia católica saúda Maria como “Stella Maris”, ou seja, estrela-do-mar, estrela polar, a mais brilhante, a mais alta e suprema que a todos nos ilumina.
O Novo Testamento e toda a tradição cristã estão de acordo que a jovem judia Maria foi a mãe de Jesus. Nos Evangelhos podemos ver Maria como mãe que segue com atenção os passos do seu filho, guiada por um espírito de fé que vai conhecendo gradualmente até à compreensão cada vez mais profunda da missão e da identidade de Jesus – do filho – e a leva a uma disponibilidade maior em “dá-lo” para a realização do projeto divino. Neste sentido, vemos Maria ao lado de Jesus e comprometida na sua ação e atividade apostólica (Jo 2,1-11); ao pé da cruz, a sofrer com Jesus (jo 19,23-27).
Os Evangelhos falam-nos ainda do encontro com Jesus Ressuscitado. Ainda neste contexto, os Atos dos Apóstolos apresentam Maria, entre os discípulos e Jesus, depois da sua morte, no começo da vida da comunidade e na tarefa missionária da igreja (Act 1,14).

A tradição cristã, ao longo dos séculos, fala que Maria subiu ao Céu pelo poder de Deus…

5 - MARIA E A LUZ DE MARIA
Como sabemos, hoje, em todas as igrejas e santuários cristãos, Maria, a Mãe de Jesus está presente. Atualmente presta-se muita atenção ao dado histórico concreto da vida da Mãe de Jesus.
De modo muito particular, e diferente do passado, acentua-se mais a verdadeira e autêntica humanidade que trás consigo a experiência do sofrimento e, por sua vez, o amadurecimento espiritual da fé e das virtudes. Maria é, nesta perspetiva, a consciência cristã que está inserida na trama histórica da humanidade. Ela viveu a humanidade de ser mulher como uma outra mulher qualquer do seu tempo, mas também do nosso tempo, de todos os tempos, com todas as limitações a que qualquer mulher está submetida.

Maria é a expressão que assinala de maneira mais acertada a sensibilidade cristã e que restitui com Deus a humanidade que somos todos nós. A nossa humanidade.

6 - MARIA COMO OLHAR DE FÉ…
Maria com a sua profunda sensibilidade e abertura ao sim capta a essência da identidade transcendente do seu Filho. A jovem de Nazaré, aos olhos da comunidade cristã, revela-se como a Virgem que acolheu livremente Deus e que por ela o próprio Deus entrasse no mundo feito homem – Jesus Cristo.
Maria é, então, única e singular na história da salvação; ela achou graça diante de Deus. Por isso, os crentes vêm Maria, não como figura do passado, mas sim como a Mãe do Senhor que está presente no meio de nós e também, por isso, hoje ela é exaltada pelo próprio Filho, ela é a cheia de graça.
O olhar de fé com que olhamos Maria - mãe celeste, mãe protetora da nossa humanidade, estrela que nos guia – deve ser visto a partir da fé de Maria e do seu testemunho; a partir da sua história concreta que foi a disponibilidade de uma serva do Senhor: “Faça-se em mim segunda a tua palavra”. Pois, (re)situar Maria no dever concreto, de mulher crente e com dom singular de graça, é conceder-lhe mais espaço em nós para, como ela, olharmos Deus que nos fala e aceitarmos o desafio que todos os dias Ele nos lança; é por em relevo a fé que sustentou Maria, que por Maria também em nós e por nós deve ser sustentada.

7 - O SIM DE MARIA
Cristo é o coração da vida cristã. O sim exemplar de Cristo cruza-se indissoluvelmente com o sim de Maria. “O eis que venho para fazer a tua vontade”[2], não teria acontecido sem “o eis a escrava do Senhor”[3]. A presença de Maria não é decoração cristã é, acima tudo a primeira a responder sim ao mistério de Deus; é a resposta dos crentes a Cristo. Maria está presente desde sempre na vocação do seu filho. Desde o seu nascimento até à consumação no Calvário e na formação da Igreja de Cristo (Pentecostes). Ela mesma, respondeu primeiro do que os discípulos; ela mesma acreditou primeiro; ela é a resposta da resposta divina de cada discípulo de Jesus.

Maria é, por isso, uma luz que emite raios para toda a vida cristã, porque a vida e experiência de Maria não relata só o encontro com Deus, mas principalmente a abertura escancarada do seu coração ao próprio Deus através do próximo, e das profundezas do seu interior como apelo vivo à vida. Este apelo ensina-nos a receber em nossa casa (no nosso coração) o outro ou a outra como discípulo amado[4].

8 - FIXAR O EXEMPLO DE MARIA
Fixar a atenção em Maria significa captar prontamente a imitabilidade da sua vida. Imitá-la nos seus privilégios e na sua graça parece inacessível. Porém, Maria é uma luz edificante para todas as opções de vida, que livremente são assumidas como norma de vida, quando cada um de nós renuncia a sua auto-regulação para se sintonizar com a vontade do Jesus. (como Chiara Luce disse: Jesus se tu queres eu também quero[5]). Maria é interpelada na primeira pessoa, sem a possibilidade de pedir um conselho a ninguém nem adiar a resposta, nem a de explica-la (como?) ao seu noivo e futuro esposo. Em Maria evidencia-se o discernimento da resposta que empenha/compromete todo o seu ser; todo o seu eu, todo o seu espírito, toda a sua alma, todo o seu corpo, todo o seu passado, todo o seu presente e todo o seu futuro. Maria percorre um itinerário que vai da perturbação à interrogação e ao consentimento. Estas são etapas do chamamento; condição de uma resposta que dá forma a qualquer vida quotidiana, e é um diálogo que deixa espaço à liberdade de quem é chamado (o anjo fala três vezes e Maria reage outras tantas).
O chamador, Deus, através do mensageiro – Gabriel –, entra em diálogo com Maria. Maria é eleita por Deus, e Gabriel é o porta-voz que não propõe os seus pensamentos, mas sim os daquele que o enviou. Por isso, Maria não dialoga com o Anjo mas com Deus.
“Eis a serva do Senhor” – é uma entrega de si mesma, é o assentimento ao diálogo entre Deus e Maria: o eis-me compromete a vida de Maria – cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia, todos os meses e anos; confessar-se serva é uma resposta autêntica ao amor que lhe foi dado e reconhecer que não é dona dele, mas fiel servidora. Este é o olhar com que Deus olhou para Maria e Maria olhou para Deus… Um amor que nos embala e nos faz nascer de novo agraciados pela graça da vida. O olhar agraciado, que por amor, Deus deleita em nós: é o encontrar Graça aos olhos de Deus.
Por isso mesmo, a exemplo de Maria, eu já não posso viver fechado em mim, mas aberto de mim mesmo, para que o tu se possa conjugar num nós. Não posso viver fechado em mim mesmo, porque o fechamento leva-me a possuir e a possuir-me, a esconder-me e a agredir, tornando-me num coração duro e violento que não conhece a graça ou o dom da graça.
Maria ao encontrar o olhar de Deus e ao experimentar a sua doçura, jamais pode deixar de acolher e de ser acolhida; de acariciar e de ser acariciada; de dar e de repartir; de amar e de ser amada.

A descoberta deste amor só é possível quando nos “deixamos” amar primeiro por Deus (1J.4,19). Assim sendo, e uma vez que o nosso amor é sempre uma resposta, logo, não somos nós que fazemos o amor, mas é o amor que se faz em nós. No mesmo sentido, compreendemos que o amor não é nosso: não é meu, nem teu, é-nos dado! E se nos é dado, de graça o devemos dar. Pois na medida em que o recebemos, é a medida que o devemos dar. Por conseguinte, para amar o AMOR (Deus e homem) não devemos fazer exigências: embora primeiro nos espante (perturbe, depois nos interrogue), porque a verdade do AMOR não tem outra exigência senão a da entrega ao amor.

9 - A MISSÃO DE MARIA
A abertura a Deus provoca uma grande abertura ao próximo. Maria põe-se a caminho logo que aceitou a proposta de Deus, porque o dom de Deus deve ser partilhado sem demora. Ninguém é dono do amor de Deus, porque se erradamente considerar este amor como seu, aqui termina o amor. Na verdade, chamada por Deus, é levada pelo mistério que a envolve. Lucas descreve uma visita à sua prima Isabel (cf. Lc 1,39-56), mas a primeira viagem missionária de Maria foi levar Cristo ao mundo. Neste sentido, a grande missão de Maria, além de abraçar com amor ser a Mãe do Salvador, abraçou também cada homem, cada mulher, cada jovem e cada criança – a humanidade inteira para servir Deus no próximo.

10 - O TESTEMUNHO VIVO DE MARIA
Na noite em Belém, Maria conhece o poder e a fragilidade divina; e todos os seus gestos deixam transparecer o poder e a fragilidade humana. “Envolveu-o em panos e recostou-o numa manjedoura” (Lc 2,7). Os gestos de Maria são gestos maternos – iguais aos das nossas mães – comuns a qualquer mulher.

- envolve-o em faixas, porque é uma criatura indefesa; coloca-o numa manjedoura, porque é dom oferecido à humanidade… e Maria conservava todas estas coisas no seu coração, porque o coração é o lugar onde se escuta a voz de Deus e onde se ouve o silêncio para se interiorizar aquilo que o mesmo Deus quer de nós, mesmo até o sofrimento.

11 - MARIA E O SOFRIMENTO
Depois da epifania gloriosa, Maria aprende o sofrimento que a sua vocação de mãe de Jesus comporta a partir da fúria de Herodes. (todas as mães comportam o sofrimento dos filhos)…
Mas a violência do sofrimento não tem a última palavra. O Anjo ordena a José a fuga; tornam-se por isso exilados e fugitivos. Maria é, por assim dizer, educada pela obediência… porque uma “espada de dor trespassará o seu coração” (Lc 2,25-27).
O sim de Maria foi um perder-se a si mesma para se ganhar. É ao mesmo tempo perda e encontro. A mãe de Jesus é a primeira a conhecer a sabedoria do sofrimento, porque inteiramente decidiu obedecer à vontade do Pai – Jesus deve seguir a sua vocação… (nem sempre é assim com as nossas mães porque muitas vezes querem que os filhos sigam o que elas querem). Neste caso o que acontece é o Filho a educar a mãe e não a mãe a educar o filho; o filho educa a mãe a segui-lo e a mãe deixa-se guiar pela vocação do Filho.

Maria passa da perda (do filho) à procura; da pergunta à resposta, e da resposta à interrogação de Jesus. Não compreende, mas guarda no coração cada palavra e cada gesto de Jesus.

12 - A MEDIAÇÃO DE MARIA
Maria desenvolve nos discípulos, em cada um de nós, uma resposta positiva à palavra de Jesus. “Fazei o que Ele vos disser!” (Jo 2,5). Neste fazei, está concretização da mediação de Maria para que, como os discípulos, também nós possamos abrir os olhos do coração para sem medo seguir Jesus Cristo.

É por isso que Maria atrai muita atenção na mediação entre os homens e o seu Filho. Mas é importante dizer que na orientação mediadora, Maria não se dirige para si mesma, mas dirige-se toda e a todos para Cristo; se chama a si o olhar dos homens, é para que os homens o voltem diretamente para Cristo, porque só Cristo pode transformar verdadeiramente em bom vinho a água que trazemos nos jarros.

13 - MARIA, OS JOVENS E A SUA LINGUAGEM
Há uma zona de sombra entre Maria e os jovens. É necessário falar de Maria aos jovens com uma linguagem acessível e compreensível; é preciso mostrar aos jovens lugares e espaços; testemunhos e acolhimento; oração e entrega; disponibilidade e escuta; acompanhamento espiritual e envolvimento caritativo.
A linguagem de Maria só é compreensível quando eu digo sim, por que dizer sim é implicar-se; e o sim implica ouvir a voz de um fino silêncio que habita dentro de nós, e essa palavra que não faz barulho é o sentir o sentido da vida; e o sentido da vida encontra-se no silêncio da Palavra de Deus. Essa Palavra poderosa que prende e liberta; que assusta e que alegra; que preocupa e suaviza; que compromete e anima; que ama e que se deixa amar; que escuta, sem estar presente; que sossega quando estou tenso; que me embala quando estou e que me acorda quando durmo; é uma voz presente parecendo ausente; é uma voz silenciosa que nunca se cala.
A Palavra de Deus é um som que nunca se ouve e um silêncio que nunca se cala… Maria percebeu a linguagem de Deus e a linguagem de Deus é a linguagem de Maria, porque quem aceita o desafio de Deus não fala por si e em si, mas fala por si de Deus e por Deus.

Ela foi a primeira a compreender uma nova linguagem e para perceber a linguagem de Deus basta (que é muito) dizer SIM: “Eis-me aqui Senhor, faça-se segundo a Tua vontade”.

Paróquia de São Pedro de Cesar, 25 de Abril de 2012.

Carlos Costa Gomes.


[1] Tema apresentado ao Grupo de Jovens da Paróquia de Carregosa, em 28 de Abril de 2012.

[2] Cf. Heb, 10,5-9

[3] Cf. Lc 1,38

[4] Cf. Jo 19,27

[5] ZANAZUCCHI, Michele – Chiara Luce. Roma: Editora Cidade Nova, 2010.

Segunda-feira, 19 de Março de 2012

“Notas históricas e teológicas sobre Quaresma” – Quaresma 2012

Preâmbulo: A Catequese com jovens…

Como é óbvio, a catequese com jovens é catequese em quanto tal, e em geral, as linhas mestras não podem deixar de ser semelhantes à catequese geral. Porém, ao dirigirmo-nos aos jovens, tudo adquire novos traços e destaques. A catequese com jovens é marcada pela evolução psicossomática (física, emocional e intelectual) dos destinatários, e ao mesmo tempo, está condicionada por ações pastorais que servem de quadros de referências.

Neste quadro centraliza-se o processo evangelizador, não fácil, mas que é o elo necessário entre a ação apostólica/missionária, que chama a fé, e ação pastoral, que alimenta constantemente o grupo. Este processo, apesar da sua importância, nunca deve ser cronológico, mas sim metodológico, no entanto, ambos podem muito bem coincidir, porque no processo educativo da fé, há que ter em linha de conta a situação concreta em que o jovem a vive nas diferentes dimensões da sua vida. Por isso, as linhas de força da catequese com jovens devem concentra-se em fontes de inspiração e horizontes formais e informais, por forma a ajudá-los nos momentos de confusão e de dificuldades emocionais, espirituais e intelectuais.

Despertar a juventude para a experiência de Deus, cuja iniciativa vem sempre do alto; identificar a vida de Cristo com a vida do jovem, é fazer da catequese um encontro com Cristo e a integração da fé com vida, porque por mais aquilatado que seja o itinerário de catequese no conjunto da ação evangelizadora ou pastoral; ou ainda que se disponha de bens materiais, o êxito da sua iniciação cristã na participação nos momentos grandes da vida da Igreja e da comunidade cristã, como é a Quaresma e a Páscoa, depende em grande medida, não da qualidade dos meios e instrumentos disponíveis na formação, mas sim da qualidade e da integridade dos agentes. (pais, catequistas, comunidade em geral) …

1 - A noção e história da Quaresma:

A Quaresma é um tempo do ano Litúrgico preparatório da Páscoa, a grande celebração do mistério da Salvação pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. Da Quarta-feira de cinzas até Quinta-feira Santa, excluindo a Missa da Ceia do Senhor, que já pertence ao Tríduo Pascal.

A Quaresma surgiu no século IV, a seguir à paz de Constantino, quando multidões de pagãos quiseram entrar na Igreja, tendo-se iniciado a partir deste acontecimento, a penitência pública (olhando ao número da multidão), e o catecumenado (convertidos à fé e admitido ao catecumenado como preparação para os sacramentos da iniciação cristã). Daqui se compreende o duplo caráter penitencial e batismal da Quaresma.

O tempo de duração da preparação para os catecumenos serem admitidos na Igreja (não obstante da Igreja já os considerar seus, caso sem culpa, morrer por batizar), inicialmente eram de três semanas, mas depois, em Roma, foi alargada para seis semanas – 40 dias –, com início no atual I Domingo da Quaresma (na altura denominado Quadragesima die, entenda-se 40º dia anterior à Páscoa). O termo Quadragesima que deu a nossa “Quaresma” passou a designar a duração dos 40 dias evocativos de jejum de Jesus Cristo no deserto, a preparar-se para a vida pública.

Historicamente e tradicionalmente, aos domingos nunca se jejuou, foi necessário acrescentar alguns dias para se perfazerem os 40 dias. Daí a antecipação do início da Quaresma para Quarta-feira de Cinzas.

2 - A Espiritualidade da Quaresma:

A Penitência Pública (disciplina litúrgico-canónica em vigor nos séculos III-V que atingia os pecadores conscientes ou acusados de crimes graves, permanecendo um tempo mais ou menos longo, determinado pelo bispo, sem poderem participar na Eucaristia, ficando à porta da igreja ou retirando-se no fim da liturgia da Palavra. A reconciliação em Roma e em quase todo o Ocidente, fazia-se na Quinta-feira Santa da Semana Santa – a que o povo ainda chama “endoenças”, mas referem-se a indulgência e perdão) ao longo da Quaresma caiu em desuso, mas ficou no espírito dos fiéis a necessidade de se prepararem ao longo de 40 dias de penitência para as festas pascais; também o catecumenado que durante séculos, teve na Quaresma a fase de preparação para os sacramentos de iniciação cristã também caiu em desuso, tendo, recentemente, sido restaurado pelo Concílio Vaticano II, dado o número crescente de batismos de adultos.

Haja ou não catecúmenos, a comunidade é convidada a viver a Quaresma em espírito catecumenal, preparando-se para a renovação das promessas do Batismo na Vigília Pascal.

Ainda dentro da espiritualidade quaresmal, os crentes renovam a experiência da partilha e do sacrifício. Isto é, devem recorrer a tradicionais práticas do jejum, da esmola, e da oração como forma de ascese cristã (vencendo as más intenções e inclinação do mal, para praticar o exercício das virtudes cristãs), de caridade fraterna (pela prática das obras de misericórdia) e de intimidade com Deus (escutando a Palavra de Deus e dando-se às várias formas de oração).

3 - Quaresma Tempo Penitencial:

A Quaresma é um tempo forte de penitência. A atitude expressa por esta palavra, tantas vezes na boca dos profetas e de Jesus Cristo, é uma atitude complexa e muito rica, suscitada pela consciência errónea ou do pecado. Começa por ser arrependimento sincero de ações praticadas que intentam não só contra outros mas também contra a própria consciência pessoal. Este arrependimento sincero, logicamente, leva ao desejo de purificação interior para repor a justiça lesada e, por antonomásia, a reconciliação com os irmãos ofendidos e com Deus.

Deste modo, o cristão crente, chega à emenda de vida e mais ainda à conversão cristã, que é muito mais que uma conversão moral, para ser uma passagem à fé que implica uma mudança de mentalidade, sensibilidade e honestidade interior e exterior própria daqueles que pela graça divina são verdadeiros filhos de Deus.

4 - Disciplina Canónica:

De modo a assegurar a expressão comunitária da prática penitencial, sobretudo no tempo da Quaresma, a Igreja mantém o jejum e a abstinência tradicionais. Embora estas duas práticas digam hoje pouco à sensibilidade dos crentes. ( há variantes de países para países).

Em Portugal (Normas da CEP aprovadas na Assembleia Plenária de Julho de 1984) são dias de jejum para os crentes/fiéis dos 18 aos 59 anos (a menos de dispensa, por doença ou outra causa) a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa (convidando a liturgia a prolongar o jejum deste dia ao longo do Sábado Santo). E são dias de abstinência de carnes para os fiéis depois dos 14 anos (embora seja bom que a iniciação nesta prática se faça mais cedo), as sexta-feiras do ano (a menos que cesse a obrigação pela coincidência com festa de preceito ou solenidade litúrgica), com possibilidade de substituição por outras práticas de ascese, esmola, caridade ou piedade, embora seja aconselhado manter a prática tradicional nas sextas-feiras da Quaresma.

No que respeita à esmola, ela deve ser proporcional às posses de cada um e significar verdadeira renúncia, podendo revestir-se da forma de “contributo penitencial” (e como já entrou nos hábitos diocesanos, de renúncia quaresmal) com destino indicado pelo bispo.

5 - Liturgia Quaresmal:

Na hierarquia dos tempos litúrgicos, a Quaresma ocupa o 3º lugar, depois do Tríduo Pascal e do Tempo de Páscoa, cuja celebração aliás prepara.

Os Domingos da Quaresma têm precedência sobre todas as celebrações. Se num deles ocorrer uma solenidade, esta é transferida para a segunda-feira seguinte (ou para segunda-feira da II semana Pascal, se cair na Semana Santa ou na Semana da Páscoa).

As férias (no calendário litúrgico designam os dias da semana que se seguem ao domingo – reflete a maneira portuguesa de dizer esses dias: segunda-feira; terça-feira…) quaresmais têm precedência sobre as memórias obrigatórias. As leituras das missas do Ano A, por serem as mais adequadas para a catequese batismal podem utilizar-se mesmo nos Anos B e C. Ainda no que diz respeito à Liturgia do Tempo da Quaresma, devem-se realizar celebrações penitenciais comunitárias, com confissão e absolvição individual; e pede-se aos sacerdotes que se disponibilizem para ouvir, mais intensamente, os fiéis em confissão.

A liturgia quaresmal, pelo seu clima de apelo à intimidade e à conversão, é, do mesmo modo, o tempo mais adequado ao encontro pessoal de cada um consigo mesmo, com Deus e com os outros. Os ritos exteriores, nomeadamente, a começar pelo rito das cinzas, o uso dos paramentos roxos, os altares desnudados de flores, o cântico (com a excepção do IV Domingo, Laetare - Alegria), pela supressão do Glória, do Aleluia e do Te-Deum, por cobrir as cruzes e as imagens no V Domingo, até, respetivamente, à Adoração da Cruz em Sexta-Feira Santa e Vigília Pascal, provoca nos fiéis momentos de intimidade e comunicação com Cristo Redentor e Salvador da Humanidade.

Paróquia de São Pedro de Cesar, dia 4 de Fevereiro de 2012

Carlos Costa Gomes

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2012 «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24)

Irmãos e irmãs!

A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.

Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da » (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.

O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).

A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.

O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.

O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.

Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).

3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.

Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.

Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Novembro de 2011



BENEDICTUS PP. XVI

20ª Via-Sacra pública na paróquia de Cesar


Sob signo, “Família e Juventude”, a paróquia de Cesar subiu pela vigésima vez o Monte da Serra da Naia em Via-sacra. Participaram mais de duas centenas de pessoas e todos os movimentos paroquiais. 



Família e Juventude: “Viver em comunhão, formar para a comunhão”

Este é o convite de D. Manuel Clemente para que cada um de nós reflita sobre o verdadeiro lugar da família e juventude no mundo contemporâneo. Neste sentido, sugeriu a toda a Diocese, no contexto da família e da juventude, exemplos de vida magníficos que recentemente foram elevados aos altares da Igreja Católica porque demonstraram, ao longo do século XX, o que é uma família Cristã e o que é um jovem cristão.



Beatos exemplos de vida para os cristãos

Apresentou sobre a família, o exemplo dos esposos Luís e Maria Beltrame Quatrocchi, beatificados conjuntamente há dez anos, enquanto esposos, mas também pelas virtudes de cada um em particular; sobre a juventude, apresentou três jovens beatificados pelos dois últimos Papas: Marcel Callo, jovem francês, militante do Escutismo e da Ação Católica, morto num campo de concentração nazi; Chiara Luce (Clara Luz), luminosa jovem folcolarina a que nem a doença tirou a alegria da fé; e por fim, Pedro Jorge Frassati, beatificado em 1990 por João Paulo II, que lhe chamou “o jovem das oito bem-aventuranças”.

Todos estes beatos pelo vigor da fé foram o Cristo do nosso tempo e, hoje, continuam a irradiar com o seu exemplo de fé, outros tantos jovens e casais que seguindo as suas peugadas, anunciam pela fé e pelas obras, que por Cristo vale a pena dar a vida como Ele deu a Sua vida por cada um de nós.



Não nascemos para morrer, morremos para ressuscitar

Durante a subida do Monte da Serra da Naia, em Via-Sacra, que recorda e atualiza o caminho doloroso dos últimos dias da vida terrena de Jesus, Padre Joaquim Cavadas, pároco de Cesar, pediu a todos os cristãos que se deixassem transformar ou transfigurar a vida ao jeito da vida Marcel Callo, Chiara Luce, Pedro Frassati, e o casal Luís e Maria Beltrame, para melhor imitar e seguir o Jesus da História e o Cristo da Fé, e acrescentou: Aqui nos encontramos no cimo da Serra da Naia. Mais uma vez fizemos este caminho e imprescindivelmente nos encontramos aqui. Deste magnifico local, podemos contemplar a natureza, mas também devemos contemplar a natureza dos beatos que hoje, nesta via-sacra, caminharam connosco e que criativamente cultivaram em si a existência do amor cristão nas famílias e na sua juventude, porque, como diz D. Manuel Clemente, «em Cristo e nos que vivem em Cristo está a resposta, como sempre e esplendidamente esteve»” porque o homem em Cristo e com Cristo não nasce para morrer, morre para ressuscitar.


Paróquia de São Pedro de Cesar


Dr. Carlos Costa Gomes

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

Missa Vespertina, Missa Jovem – Nova Cronologia de liturgia

Como devem saber os nossos paroquianos,  está a terminar a primeira participação dos grupos de adolescentes e jovens na liturgia da palavra nas missas vespertinas anunciado anteriormente. Tendo em conta que esta iniciativa é uma oportunidade formativa de uma vivência mais participativa dos jovens na Eucaristia, é imperioso continuar esta dinâmica. Assim, aqui temos a nova cronologia:

1º domingo da Quaresma (sábado, 25 fevereiro) - 6º ano de catequese
2º domingo da Quaresma (sábado, 3 de março) – G.J. Oásis
3º domingo da Quaresma (sábado, 10 de março) - 11º ano de catequese
4º domingo da Quaresma (sábado, 17 de março) - 10º ano de catequese
5º domingo da Quaresma (sábado, 24 de março) – 9º ano de catequese
Domingo de Ramos (sábado, 31 de março) - 8º ano de catequese

Gostaria de lembrar que esta dinâmica não retira a ninguém a possibilidade de participar na liturgia da palavra. Pelo contrário, cria sim, possíveis leitores que no futuro poderão vir a participar noutras missas. É necessário lançar a rede e fazer o convite... Quem experimenta o amor de Deus jamais o esquecerá. É verdade que pode ou não viver esse amor no dia-a-dia, mas uma coisa é certa: a experiência do amor será sempre uma marca indelével na vida de cada um. Há muitas pessoas que já viveram de tal forma este amor, que quando o querem expressar não encontram palavras para o definir, porque o amor de Deus não se define vive-se...  

Um abraço em Cristo, 
Carlos Costa Gomes

OBRAS MISSIONÁRIAS PONTIFÍCIAS - Divulgação

Sem título

Dada a importância atual de se espalhar a palavra e o amor de Jesus pelo mundo, decidimos apresentar as Obras Missionárias Pontifícias (OMP). São uma instituição da Igreja Católica e de cada Igreja particular, com a finalidade de desenvolver a consciência missionária da missão universal, promovendo as vocações missionárias, favorecendo entre as Igrejas o intercâmbio de valores espirituais e de recursos materiais. O seu sítio na internet oferece também aos cibernautas a possibilidade de tomarem conhecimento sobre iniciativas de evangelização e atividades missionárias, tão importantes nos dias de hoje.

Incluem em si 4 Obras distintas, que são dirigidas por um único conselho geral, com sede em Roma.

  • Propagação da Fé (1822)
  • Infância Missionária (1843)
  • São Pedro Apóstolo (1889)
  • União Missionária (1916)

Para se saber um pouco mais, basta aceder ao endereço:  www.opf.pt

Já sabe, Ele está sempre no meio de nós!

 

Diretor Nacional: Pe. Manuel Durões Barbosa C. S. Sp.
Sede: Rua Ilha do Príncipe, 19 – 1170-182 Lisboa
Tel.: 21 814 84 28
missio.omp@netcabo.pt

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Peditório para Festas Grandes 2012

A Comissão de Festas informa que no próximo domingo, dia 26 de fevereiro, irá iniciar o peditório pela freguesia de Cesar para as Festas Grandes 2012, a serem realizadas no primeiro fim de semana de julho, como é tradição.

A paróquia aproveita para apelar à generosidade e dever cívico da comunidade, de modo a que contribuam para algo que é de todos, e se possível facilitando o trabalho dos membros da comissão, dirigindo-se aos mesmos, e deste modo evitar que estes tenham de se deslocar a  mais uma casa.
Se todos contribuirmos com o que pudermos, a paróquia e toda a comunidade cesarense só tem a ganhar!

Desde já, um grande obrigado a todos!

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Mensagem ao Sr. Pe. Joaquim Cavadas, pelo seu 80º aniversário

Caro Sr. Padre Joaquim Cavadas, 
na passagem de mais um aniversário entre nós, 80 anos de vida, esperamos nesta mensagem, que o tempo nos baste e que a amizade nos deixe sermos justos, para que nestas palavras se cumpra a função essencial que é a de garantir a nossa amizade cristã, a nossa admiração, a nossa gratidão e o nosso apreço por todos estes anos de permanência e de direção espiritual da comunidade paroquial de Cesar.
Hoje, ao completar os 80 anos de vida, idade sobremaneira da sabedoria, cumpridos que estão 47 anos atividade sacerdotal e apostólica, e olhando para o caminho percorrido e para as metas que desejou, que atingiu e que ultrapassou, pode e deve, acima de tudo, sentir-se feliz e realizado. Olhando novamente para trás, o serviço sacerdotal aqui em Cesar, ou noutra paróquia qualquer, é sempre uma lotaria imprevisível, pois tantas são as variáveis que escapam à concretização dos anseios humanos. Contudo, o Sr. Padre Cavadas, a todas passou com distinção e louvor e, hoje, é amado por todos nós e a todos nós acrescenta cem por um…
Homenagear e celebrar a vida, neste singelo momento, é tecer e demonstrar os laços invisíveis de indefinível respeito. A impressão que ao longo destes longos anos temos de si, é a de um espírito formidável em ação, que trabalha como um turbo dos carros de grande e alta cilindrada e, pessoalmente, desculpem-me todos os leitores, quando eu, debruçado à janela da fé, e da minha inteligência, observo com continuado deleite o uso que Sr. Padre Joaquim Cavadas faz do seu pensamento e da sua vivência sacerdotal. Nele emerge não uma inteligência sem coração mas sim um coração inteligente.
Sr. Padre, com toda a certeza, a bandeira que içou – Jesus Cristo - ao longo da sua vida sacerdotal, 47 anos na paróquia de Cesar, é exemplo de virtude neste tempo relativo em que são escassos os mestres e os exemplos de vida, da qual o Sr. é digno exemplo vivo, e que para nós, é fonte de esperança neste mundo reduzido à esperança da economia.
Ao ter respondido “sim” ao chamamento de Deus, deixou de olhar para si, para olhar e viver para os outros…
Obrigado, Sr. Padre Cavadas.
Sabe que pode contar connosco, pois também sabe que a comunidade saberá olhar por si na justa medida com que Sr. Padre olhou e viveu para ela, para nós…

Paróquia de São Pedro de Cesar, 27 de Janeiro de 2012.
Carlos Costa Gomes